CLASSES SOCIAIS:
Encontrar uma definição de
classe social não é tarefa nada fácil, ainda mais quando o tema não gera uma
definição consensual entre estudiosos das mais diferentes tradições políticas e
intelectuais. Porém, uma coisa é certa! Todos estão de acordo com o fato de as
classes sociais serem grupos amplos, em que a exploração econômica, opressão
política e dominação cultural resultam da desigualdade econômica, do privilégio
político e da discriminação cultural, respectivamente.
Os principais conceitos de
classe na tradição do pensamento social são: classe social e luta de classes de
Karl Marx e estratificação social de Max Weber. De modo geral, no cotidiano, o
cidadão comum tende a confundir as definições de classe social.
A concepção de organização
social de Karl Marx e Friedrich Engels se baseia nas relações de produção.
Nesse sentido, em toda sociedade, seja pré-capitalista ou capitalista, haverá
sempre uma classe dominante, que direta ou indiretamente controla ou influencia
o controle do Estado; e uma classe dominada, que reproduz a estrutura social
ordenada pela classe dominante e assim perpetua a exploração.
Numa sociedade organizada, não
basta a constatação da consciência social para a manutenção da ordem, pois a existência
social é que determina a consciência. Em outras palavras, os valores, o modo de
pensar e de agir em uma sociedade são reflexos das relações entre os homens
para conseguir meios para sobreviver. Assim, as relações de produção entre os
homens dependem de suas relações com os meios de produção e que, de acordo com
essas relações, podem ser de proprietário/não proprietário,
capitalista/operário, patrão/empregado. Os homens são diferenciados em classes
sociais. Aqueles homens que detêm a posse dos meios de produção apropriam-se do
trabalho daqueles homens que não possuem esses meios, sendo que os últimos
vendem a força de trabalho para conseguir sobreviver. A luta de classes nada
mais é do que o confronto dessas classes antagônicas. Essa é a concepção marxista
de classe social.
Com o desenvolvimento do
capitalismo industrial e na modernidade, a linguagem comum confunde com
frequência o uso do termo classe social com estrato
social. Para Weber, a estratificação das classes sociais é
estabelecida conforme a distribuição de determinados valores sociais (riqueza,
prestígio, educação, etc.) numa sociedade, como: castas, estamentos e classes.
Em Weber, as classes constituem
uma forma de estratificação social, em que a diferenciação é feita a partir do
agrupamento de indivíduos que apresentam características similares, como por
exemplo: negros, brancos, católicos, protestantes, homem, mulher, pobres,
ricos, etc.
Em se tratando de dominação de
classe, estabelecer estratos sociais conforme o grau de distribuição de poder
numa sociedade é tarefa bastante árdua, porque o poder sendo exercido sobre os
homens, em que uns são os que o detêm enquanto outros o suportam, torna difícil
considerar que esse seja um recurso distribuído, mesmo que de forma desigual,
para todos os cidadãos. Assim, as relações de classe são relações de poder, e o
conceito de poder representa, de modo simples e sintético, a estruturação das
desigualdades sociais. Para Weber, o juízo de valor que as pessoas fazem umas
das outras e como se posicionam nas respectivas classes, depende de três
fatores: poder, riqueza e prestígio; que nada mais são que elementos
fundamentais para constituir a desigualdade social.
Orson Camargo
Colaborador Brasil Escola
Graduado em Sociologia e Política pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP
Mestre em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAM
Colaborador Brasil Escola
Graduado em Sociologia e Política pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP
Mestre em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAM
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